Muita
coisa, ou quase nada. Depende muito do nível de tristeza. Sim, existe níveis de
tristeza, alguns não passam de algum tipo de contrariedade temporária, o cabelo
desarrumou, o carro sujou, então pode-se subir de nível, o passarinho morreu,
uma doença, um parente faleceu ou as vezes sem mais nem menos se fica triste e
nem se sabe bem porque, deprime, entra numa espiral e fica difícil sair de lá.
Então,
nestes momentos busca-se ajuda, nem sempre, e também não quer dizer que vai
melhorar. Alguns buscam uma “cura” com profissionais da área, um psicólogo
outros com amigos, outros na bebida, e ainda outros na igreja. Mas, no fundo,
quase tudo paliativo, porque é necessário acima de tudo que mudemos o foco,
procuremos algum motivo para sair disso.
A
tristeza deve ser encarada apenas com uma defesa de nosso organismo ou da “alma”,
um sentimento que não nos permite ser indiferentes e maníacos, entretanto a
preservação desta situação nos leva para caminhos sombrios.
Ainda
depende muito de cada um, apesar de toda ajuda e incentivo, temos de saber sair
disto.
Major Lazer - Cold Water (feat. Justin Bieber & MØ)
A edição de junho da revista SAÚDE
trouxe uma reportagem sobre a epidemia de depressão, que já atinge praticamente
10% da população mundial, com tendência de forte crescimento para os próximos
anos. A matéria investiga as razões de tanta gente se queixar da enfermidade,
considerada por muitos o mal do século. Para dar continuidade à discussão,
convidamos os leitores, assinantes e seguidores nas redes sociais que já
tiveram a doença a compartilharem depoimentos e mostrarem como foram capazes de
superar esses momentos.
O formulário, postado em nosso site,
ficou no ar por quase dois meses. Nesse período, 88 pessoas deixaram os seus
comentários. Segundo os dados levantados, 35% dos respondentes têm entre 35 e
45 anos. O segundo grupo etário mais representado foi o de 45 a 60 anos, com
34% dos cliques. Por fim, 18% deles estão com 25 a 34 anos e menos de 10%
possuem 19 a 24 anos.
Outra estatística que chama a atenção
é o número episódios agudos de melancolia que eles experimentaram. Metade dos
participantes afirma ter sofrido mais de quatro crises. Na sequência vêm
aqueles que passaram por uma crise (23%), duas (13%) e três (13%).
Veja agora alguns dos depoimentos —
cada um traz um ensinamento específico sobre a depressão.
Precisamos falar de suicídio
Depois de duas tentativas de suicídio
seguidas de longas internações e consultas com vários psiquiatras e psicólogos,
encontrei um profissional que me fez seguir tratamento corretamente. Passei a
usar a medicação, fiz psicoterapia, mudei hábitos de vida (virei vegetariana),
faço exercícios físicos, procuro tomar sol, viajar e estar com pessoas que me
amam e que eu amo também. M. A. (Atenção: nós retiramos
os nomes dos autores dos depoimentos por uma questão de privacidade)
Sempre tive depressão. Desde cedo, só
pensava em suicídio. Inclusive, tentei me matar duas vezes. Da primeira vez,
fiquei internada por nove dias e, na segunda, por duas semanas. Cada vez que
saía do hospital, ficava ainda pior. Até que, depois de muito trocar de médico,
me consultei com um psiquiatra que usou uma combinação de medicamentos
associada à psicoterapia. À medida que fui melhorando, ele foi retirando os
remédios e minha vida foi adquirindo cor, sabor, felicidade... Hoje me mantenho
estável com um antidepressivo apenas. Já parei a psicoterapia e trabalho a
minha dor com autoanálise. É preciso salientar que não existe cura para a
depressão. Existe controle. Não se pode abandonar o tratamento, pois uma recaída
pode ser fatal. Nunca mais quis morrer. Só quero viver e ser feliz. M. L.
Segundo dados da Organização Mundial
da Saúde, mais de 800 mil pessoas se matam por ano. A maioria dos casos,
infelizmente, tem a ver com a depressão. E isso ficou bem claro na nossa
pesquisa informal. Mais de dez indivíduos relataram tentativas de acabar
com a própria vida.
Onde começa o problema?
Em julho de 2014, eu trabalhava numa
empresa do setor financeiro. Certo dia, cheguei em casa e simplesmente não
conseguia entrar porta adentro. Um pavor tomou conta de mim. Liguei para minha
mãe, que mora em outro estado, para conversar e me ajudar. Ela ficou comigo no
telefone até que eu desliguei e peguei no sono. Quando me dei conta, estava
cortando os próprios pulsos e olhando para ver se não conseguia cortar mais.
Fiquei desesperada, liguei para a polícia e para os bombeiros. Após um longo
tratamento, e graças ao bom Deus, me livrei desta horrível doença. K. M.
A primeira vez foi de repente, não
havia nada na minha vida que justificasse o fato. Comecei a ter crises de
choro, ficava triste do nada. Até que veio o diagnostico. Tomei remédio e
passou. A segunda crise foi após o termino do meu namoro de 9 anos. Passei por
tratamento psicológico e levei um tempo pra superar tudo. Ainda vivenciei uma
terceira crise quando perdi minha mãe. Consultei um psicólogo e tomo
medicamentos desde então. A. C.
Na grande maioria das vezes, o
paciente não consegue precisar aquilo que deu início a uma crise depressiva. É
comum ela surgir do nada, sem nenhum motivo aparente. Mas há aqueles casos em
que a morte de um ente querido, um abandono ou uma demissão são a gota d’água
para um processo de tristeza que se arrasta por meses a fio.
Início precoce
Tudo começou quando eu tinha 11 anos.
Algumas mudanças em minha vida ajudaram a desenvolver a doença. Passei a
infância sofrendo com preconceito por ser mais gordinha. Até que na adolescência tive anorexia e fiz
inúmeras automutilações. Aos 15 anos estava no auge da minha crise e cheguei a
ficar mais de duas semanas apenas ingerindo água e leite. Minha mãe buscou
ajuda de psicólogos e psiquiatras, o que me levou a um tratamento intenso até
receber alta provisória. Dos 16 anos até os 20 estive em uma fase tranquila e
sem crises. Porém, no meu último ano de faculdade, comecei a atolar novamente
na melancolia. Após dois anos e o fim de um relacionamento abusivo, voltei a
estudar e trabalhar. Isso aumentou meu círculo de amizades e me reaproximou da
família. Também comecei a trabalhar meu amor próprio e a viver novamente.
M. G.
Sempre fui uma criança ansiosa. Após
uma série de acontecimentos na minha vida, desmoronei. Desde a adolescência
tive várias crises, mas todo mundo achava que era questão da idade. Foi na fase
adulta que as coisas ficaram insustentáveis. Eu não saía, não conversava...
Minha vida era o trabalho e, mesmo assim, ia me arrastando até o emprego.
Resolvi procurar um médico e iniciei a medicação. Logo comecei a namorar e fui
promovida. Fui transferida de cidade e tudo voltou a piorar. Tive vários tipos
de infecções por estar com a imunidade baixa. Tive síndrome do pânico e quase
me matei várias vezes. No meio de tudo isso, meu namorado me pediu em
casamento. Tive outras crises desde então, mas recomecei o tratamento e aprendi
a controlar melhor a minha mente. Hoje meu casamento está ótimo e conquistei
meu emprego de volta. I. S.
É curioso notar também a idade com
que muitos começaram a sofrer de depressão. Não foram poucos os relatos que
diziam sentir uma tristeza imensa desde os períodos da infância ou da
adolescência.
O tratamento é essencial
Após uma grande decepção, fui
acometida por uma crise de ansiedade e depressão que durou um ano. Nesse
período quase tranquei minha faculdade e desisti de meu estágio. Minha saúde
ficou em péssimas condições e eu perdi bastante peso. Tinha insônia e ataques
de pânico. Tentava me adaptar às terapias, que mais pareciam prejudicar do que
melhorar. Os remédios passados pelo meu psiquiatra faziam com que eu perdesse o
controle sobre minha própria mente. Foi um ano difícil, de passos lentos, mas a
melhora de fato chegou quando aliei os remédios a uma recuperação espiritual.
Tudo ficou mais favorável quando conheci um psiquiatra que respeitava as minhas
observações sobre os medicamentos. Mas a depressão é como um vício: de certa
forma, você vive um dia de cada vez. F. G.
Eu não sentia vontade de acordar, de
levantar da cama, de comer, enfim, de fazer nada. Era um vazio, um peso que eu
carregava nas costas. Fiz tratamento com remédio controlado e psiquiatra. Mas
houve uma época em que tomar o remédio já não adiantava mais nada. Eu superei
quando estava muito cansada de tudo e pedi pra Deus me levar embora. Foi justamente
pela fé que me levantei e me fiz outra pessoa. R. M.
Posso dizer que convivo com a
depressão. Se deixar de lado os cuidados que hoje eu tomo, eu mergulho nela
novamente. Desde a adolescência tomo medicamentos e sofro bastante com as
crises. A cada nova recaída, eu procuro relembrar como saí da última e aplico
as mesmas estratégias, que consistem em medicação, psicoterapia, muita
meditação e tratamento espiritual. É sempre angustiante assumir para o outro
aquilo que se passa comigo. Muita gente nem sabe que eu passo por isso. Depois
de ler sobre alimentação e depressão, procurei uma nutricionista, que me
explicou a importância de um intestino saudável para combater a crise. Assumir
minha condição perante as pessoas e pedir ajuda foi fundamental. C. A.
Os textos que recebemos destacam a
importância do diagnóstico correto. Há sujeitos que fazem uma verdadeira
via-crúcis por vários especialistas antes de receber a confirmação da doença.
Isso sem contar o preconceito envolvido na depressão... Tem muita gente que
ainda acha, de forma errada, que o paciente tem falta de vontade ou falhas de
caráter. Mas ainda bem que os remédios, a atividade física e até a
espiritualidade são aliados na luta contra o distúrbio.
A
chamada doença do século, agora estou na dúvida se é do século passado ou do
século atual, mas já faz muito tempo que a depressão é descrita como a “doença
da alma” e com certeza fonte de receita para psicólogos e psiquiatras, não
estou usando a receita como fator pejorativo, mas, sem a menor dúvida a grande
procura por estes profissionais são de pessoas que estão em um quadro
depressivo ou diagnosticado como pré-depressão.
Com
a chegada do inverno, por si só um tempo mais sombrio, com menos luz devido ao
posicionamento do sol no determinado hemisfério no caso agora no nosso. Existe
a chamada depressão sazonal, sim, pela falta daquela luz intensa que somos
acostumados, vamos imaginar um país como a Finlândia onde a noite pode durar 24
horas, vamos encontrar uma quantidade enorme de pessoas depressivas. Então,
muita gente não consegue se adaptar, e até por questão de falta de algumas
vitaminas que o sol proporciona, no caso a vitamina D e o cérebro acaba
secretando a melatonina de forma diferente, deixando a pessoa mais sonolenta,
mais irritada, triste e com o apetite alterado.
A
coisa é séria mesma, neste caso tem de acender a luz literalmente como forma de
prevenção e tratamento. Então na maior parte dos casos, quando chega a primavera
as pessoas começam a ficar mais alegres o quadro depressivo tende a diminuir.
Mas, em alguns casos, o excesso de luz também pode deixar certas pessoas depre.
Ou seja, o contrário pode também ser verdadeiro.
Então,
os cientistas ainda não conseguem explicar direito todas estas mudanças de
humor e porque ocorre com algumas pessoas e não com outras, no caso a falta de
luz tem uma explicação cientifica, alteração dos hormônios, mas, e o excesso de
luz? Mais ou menos luz iluminando a cabeça dos doutores na área para esclarecer
porque as vezes ficamos assim bastante tristes. Como dar três pratos de trigo
para três tigres tristes.