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terça-feira, 10 de maio de 2016

Sem chance, sem chance

House of Cards Brasil – A Reviravolta


Segunda, 9 de maio de 2016, 8h da manhã. A equipe de roteiristas de House of Cards Brasil está reunida.
– Ferrou, pessoal. A audiência tá indo pro saco – diz o roteirista-chefe – Tamos precisando de novidade na série!
– Mas a gente acabou de derrubar o Cunha, chefe, e logo depois da votação do impeachment. Se tiver mais reviravolta no roteiro, isso aqui vai ficar mais zoado que Game of Thrones. Não dá pra ficar ressuscitando personagem…
– Pára, pára. Ressuscitar pode ser uma boa. Vamos ver… E se a gente colocar o Lula de ministro do Temer?
– Esquece, chefia. O público não ia engolir. Não faz sentido
– Não tem que fazer sentido, mané. Um professor de química de 50 anos que vira um puta traficante faz sentido, por acaso? A gente precisa de uma virada forte agora.
– Então e se a gente… Ressuscitar a Dilma?
– Não rola. O personagem não tem carisma. Por que é que você acha que a gente tirou ela da série, porra? Porque a atriz não quis renovar? Acorda.
– Mas é justamente por isso que eu tô falando, chefia!
– Por isso o que?
– O público sabe como a gente faz as séries. Sabe que a gente mata personagem que não tá dando certo.
– Com os textos que você fez pros discursos dela, aí que não tinha como dar certo mesmo…
– Desculpa. Eu tava misturando uísque com rivotril na época. Mas então: o público sabe que a gente elimina personagem que não funciona. Então vamos dar pro público a coisa que ele menos espera: a volta da Dilma.
– Mas não faz sentido…
– Professor de química de 50 anos vira traficante também não faz, chefe…
– Tô começando a gostar da ideia…
– Mas, ei – pergunta outro roteirista – O que é que a gente faz com aquelas setecentas páginas de roteiro sobre o ministério do Temer? A gente passou as últimas semanas enterrado nisso. O Marcos aqui criou aquela história de botar um pastor da Universal na Ciência e Tecnologia. Gênio. A gente também botou o Serra. Vai gerar meme pra caramba!
– Ah, joga essa porra toda fora – diz o chefe – Não tava dando certo. Na real, o pessoal já não falava da nossa série direito desde o episódio 9, o da votação do impeachment. E a nossa meta aqui é voltar pro auge, que nem quando a gente emendou o Lula na Casa Civil com os grampos do Moro. Mas vem cá: como é que a gente vai colocar a Dilma de volta?
– Tem esse presidente novo da Câmara que a gente colocou no lugar do Cunha. É um personagem tampão. Mas a gente pode dar um papel forte pra ele, fazer o cara trazer a mulher pra dentro do baralho de novo.
– Mas ele é do PP. Não vai fazer sentido nenhum…
– Justamente por isso vai ser mais inesperado, chefia!
– Boa. Então vai lá: taca pau. Inventa aí qualquer coisa pra que ele faça a Dilma voltar.
– Certo. Vou colocar o cara anulando o processo de impeachment. Ele pode alegar que, tipo, foi tudo zoado demais.
– Sem chance, cara. Aí essa merda dessa série vira um Lost, e a gente acaba tudo na rua. Inventa outra.

POR Alexandre Versignassi



Avril Lavigne - Girlfriend




sábado, 7 de maio de 2016

Nós fazemos assim, sim

Na definição do dicionário, cunha é um pedaço de ferro ou madeira que se coloca numa abertura para diversas finalidades. Lembro bem da minha infância, que a cunha servia muitas vezes para colocar no cabo que encaixava no machado, uma forma de alargar e o machado não se soltar do cabo, também se usava para escorar portas e outros afins. Ou seja, quase que sempre era a cunha um auxiliar do principal.

Ultimamente o nosso Cunha, o Eduardo tornou-se personagem principal dentro de imbróglio que é a nossa política.  No afã de se tornar a figura central nesta história, fez e desfez, utilizou da presidência da câmara, e vamos dizer dentro do regulamento, para ter uma queda de braço com o poder executivo. E se tornou a personagem central sim em acatar e levar avante o impedimento da presidenta, um outro, provavelmente não faria com tamanho zelo e rapidez, era de utilidade para a Nação, não podemos negar isto, entretanto feito o seu papel nada mais que justo que comece também a pagar pelos seus desmandos e vá responder os seus vários processos.

Do dia para noite, ou da noite para o dia o STF resolveu afasta-lo da presidência da câmara e do mandato de deputado, afinal um réu não poderia na vacância do presidente vir a assumir a presidência, já não basta outros motivos, mais este para desmoralizar de vez o nosso País. Resumindo, mais uma limpeza está sendo realizada. Claro, o seu sucessor mesmo que provisório o tal de Maranhão também já tem alguns processos no STF, ou seja, não escapa ninguém, difícil é achar um político que não tenha algum tipo de denúncia, todos são “santos” entretanto falta papel para as fichas corridas de cada um.

Bom, acho interessante, é um pequeno motivo para acreditarmos na justiça, mas, infelizmente isto é outra coisa que me incomoda, na falta de bons políticos, bons administradores da coisa pública, um outro poder, o judiciário começa de certa forma tomar as rédeas, fazendo aquilo que os outros poderes se omitem em fazer e vamos e convenhamos este caminho também não pode nos levar ao céu. Enquanto isso vamos vivendo neste purgatório terreno.



Katy Perry - This Is How We Do




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