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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ele morre por você, mas é por mim que você mata

E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando praquilo você não tem ideia. Mas das últimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desanimo, com saudade e mágoa misturadas. Porque você tinha que morrer? Porque você tinha que matar tudo que eu sentia? Me obrigar a morrer também. Me obrigar a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigar a não chorar, quando tive vontade de chorar. Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. E quando eu procuro outras pessoas, eu procuro imaginando você me vendo. E tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, hoje não é nada. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, porque eu continuo te olhando? Porque eu sempre volto aqui? Porque eu ouço músicas que falam de tristeza? Por quê? Você não vale isso. Mas eu faço. Eu continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo à risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu preferia que morresse. Você está aí vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, feliz, tranquilo, sem sentir minha falta, sem olhar minha foto em rede social. Porque eu não consigo? Porque você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você? Não. Eu não esperei nada, eu entendi tudo, eu entendia o que ninguém entenderia. Eu respeitei. Eu fiz como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu aguentei besteiras. Aguentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.




Shakira - Loca (Spanish Version) ft. El Cata



terça-feira, 19 de abril de 2016

E ainda que passe toda minha vida, eu vou te esperar

Ele sabia que o seu relacionamento era complicado, não entendia até quanto era amor ou era posse, desejo, vontade, coisa de homem que ainda não sabe lidar bem os sentimentos. Devia ser isso.

Sempre acreditou que sentia algo especial, algo diferente, e mais que tudo, queria ficar perto, mas ao mesmo tempo precisava de espaço. Estes turbilhões se sentimentos bipolares não era o melhor para nenhum relacionamento. Do outro lado, ela tinha certeza do que queria, mas, sempre foi uma “lady”, jamais ultrapassou os limites, nem precisava, mostrava sempre o quanto o amava, o quanto queria ficar com ele pelo menos para sempre, enquanto durasse.

O tempo passava, e as indecisões continuavam, alguém precisava fazer algo, e ela se foi, não para sempre, apenas para colocar as ideias no lugar, tomar as decisões por ele, se afastar um pouco e faze-lo entender o que realmente ele precisava, mas nunca deu isso a entender, exatamente o contrário, que o tempo era dela, ela precisava entender o que realmente queria.

Ele por um momento entendeu, ou não, aceitou, ou não, mas apesar da dor, ou talvez porque não tivesse mesmo outra opção fez de conta que era o melhor para todos. Parou um pouco e sentiu que gostava do que tinha vivido até aquele momento. Entendeu que também ela tinha ido embora por sua culpa. Entendeu que sempre fez as “coisas certas”, mas na maioria das vezes da forma errada e deixou quase sempre a cabeça falar mais alto que o coração.

O sentimento era bom, mas não conseguia qualificar se era amor. Mas, entendeu que mesmo sem promessas, sem respostas, mesmo sentindo falta, acreditava que deveria espera-la; por uma vida, provavelmente não, mas o tempo que fosse necessário. Mas, o tempo na maioria das vezes é inimigo, faz esquecer os motivos, faz esquecer o rosto, faz esquecer o perfil, e tudo passa ser uma vaga lembrança e o tempo faz outras pessoas se aproximarem. Pessoas mais objetivas, mais dinâmicas, que sabem o que realmente querem.

Ninguém espera ninguém para sempre.


Cali Y El Dandee - Yo Te Esperaré








sábado, 26 de março de 2016

Abaixa e passa pelo limbo

 Por onde andam as pessoas interessantes?



[Você pode ler este texto ao som de Socorro]

Depois que terminei meu namoro, senti que as coisas deram a devida reviravolta que eu tanto proclamava. De 4 a 6 semanas foi o suficiente pra poeira baixar e chegar ao limbo. O limbo é aquele lugar calmo, não muito raro, que todo mundo tem dentro de si. Um sótão que não é escuro, não abriga histórias de terror, não tem nada a ver com os filmes. Passei um bom tempo lá e confesso que tava até feliz por não ter que me distrair com ninguém a não ser eu. Depois de todo fim a gente precisa de um tempo pra cuidar da gente, botar a cabeça no lugar, sair por aí pegando uma infinidade de gente – papo chato de autoafirmação, aposto que você me entende. E depois de tudo isso, a gente para lá no limbo pra tomar uma cerveja.
De uns meses pra cá eu senti nada. Sentia nada, nadinha. Nem por uma, nem por dez das pessoas que jantaram comigo – e não é exagero, foram dez mesmo. Mexicano, japonês, italiano, comida no parque, jantar na casa dela, McDonald’s no shopping, rodízio de pizza, crepe na Voluntários, cachorro-quente num aniversário, sobremesa aqui em casa. A cada pessoa nascia aquele interesse curioso que era rapidamente sucedido pela preguiça de se dispor, de ter que contar toda a minha história, de ter que voltar pro grande jogo das conquistas.
E isso me leva à outra questão: por onde andam essas pessoas que costumavam puxar a gente? Já falei sobre timing e sobre um monte de ingredientes pra equação, mas nem exijo amor, não. Uma história à toa, por menor que seja, só pra não lidar com o egoísmo da solidão. E nada de aparecer alguém que dêmatch na vida real como a gente dá no Tinder, ninguém que faça a gente ter vontade de continuar um papo tranquilo sem cobrança, mas com vontade de continuar. Quando falo em gente interessante, me refiro única e exclusivamente a quem se conecte com a gente de verdade, para além do mundo virtual e dos telefones da vida. Outro dia perguntei pra um amigo se ele sentia que as pessoas interessantes tinham sumido e ele disse que sim. Mais uma corja de amigos recém-separados e na mesma faixa de idade responderam o mesmo. E isso me faz pensar se a gente é que ficou desinteressante ou se o limbo emocional – nossa casa constante com o passar dos anos e dos relacionamentos – acabou tornando a gente mais exigente e maduro. Ou se realmente anda difícil encontrar conexão emocional numa época em que os aplicativos de pegação, a variedade de opções e a falta de tempo costumam transformar em instantâneos os relacionamentos que já estavam se tornando efêmeros.

Daqui do limbo as coisas vão de mal a monótonas. Cada novo encontro mostra que a barra de compatibilidade do last.fm tá quebrada. E eu já não sei mais se é a gente que deixou a coisa da conexão emocional se apagar por conta do momento, da apatia, da vontade interna de manter as coisas caladas ou se o mundo não tem proporcionado bons encontros com gente interessante – que deve andar escondida. Ou nós mesmos nos tornamos desinteressantes pela apatia. A única coisa que sei mesmo é que o Arnaldo Antunes nunca fez tanto sentido como hoje. Enquanto eu escrevia esse texto, um trecho dele martelava na minha cabeça, no meu limbo, na minha falta de interesse: “Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha”.




Daddy Yankee - Limbo




Arnaldo Antunes - Socorro



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Lembranças também se apagam!

Era o seu primeiro ano estudando no período noturno, sem dúvida mais uma aventura, afinal não era apenas para mudar de turno, chegava a hora de trabalhar, afinal dezesseis anos era o limite máximo para que a boa vida acabasse, com isso a partir daquele momento tudo passaria a ser diferente.

Aos poucos, logo de início começou a observar uma menina da mesma idade, mas, como sempre foi, as mulheres desenvolvem muito mais rápido, e apesar da mesma idade, ela já era uma mulher e ele, bem, se achava ainda um moleque. Mas, era uma colega de turma, estavam juntos, faziam trabalhos, estudavam, este era o limite.

Isto não impedia de admira-la, pele muito branca, cabelos curtos negros, um rosto arredondado, uma voz calma, assim como um comportamento discreto, mas o mais importante e talvez aquilo que chamava mais a sua atenção, lhe prendia pelo olfato, o cheiro que ela exalava pela pele proveniente do local onde trabalhava, inebriante, o cheiro não a largava e era um cheiro bom.

Pode ser até que tenha sido o odor que ela tinha, o fator determinante para diferenciá-la e fazer com que ela fosse única em seus pensamentos, se imaginava meio bobo, afinal nunca tinha sentido isto antes, e pensava vai ser hoje “ Vou dizer o que sinto”.

E o dia chegou, tinha que ser este, já havia demorado muito, hoje ele venceria a sua timidez, iria ultrapassar as barreiras e olha-la bem nos olhos e dizer que gostava dela e se ela queria namorar com ele.

Nesta noite, pouco antes do intervalo, a energia elétrica teve uma pane, as luzes se apagaram, e na penumbra, entre um fósforo ali riscado, uma vela acesa, ele pode deslumbrá-la, naquela noite ela estava mais linda que outros dias, dentro de um vestido branco poderia ser reconhecida até mesmo na penumbra, e mais que depressa ele se dirigiu ao encontro dela, era agora ou nunca ..... e a poucos passos de alcançar seu objetivo um outro cara, com outro estilo, mais descolado, sem papas na língua, o arruaceiro da sala e ao mesmo tempo o cara que queria ser o “cara” que todas meninas queriam tê-lo por perto, chegou antes, e aproveitando a escuridão lhe beijou na boca e ela correspondeu.

Neste momento a energia voltou, e ela se recompondo olhou para ele, enquanto o outro continuava seu caminho, os seus olhos mostraram que no fundo sabia o que ele sentia por ela, e disse meio que se desculpando e respondendo a um pedido nem realizado, se ele quisesse no dia seguinte eles podiam conversar. Ele, apenas esboçou um sorriso e continuou andando indo pra algum lugar que não tinha planejado.


Depois deste dia, na verdade ele apenas sabe que ela existiu, mas não tem mais nenhuma lembrança dela depois deste dia.  E assim foi, assim é ....



MAGIC! - Rude


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Macho Alfa!

Desde pequeno Léo ouvia dizer que tinha nascido para ser o orgulho da família. O pai, no estilo o que importa é o que parece ser, então, o negócio é sempre parecer que está por cima da “carne seca”. Não importa se o carro está financiando e as prestações atrasadas, mas não pode andar de ônibus, e o carro tem de ser bom, nada de “popular”, o negócio é mostrar para vizinhança que tem de tudo e do bom, que se foda o cheque especial, sempre tem um jeito de dar um golpe, hoje em dia dá até trocar o CPF.

Filho meu tem de ser macho, desde pequeno, não tem problema, está liberado, pode passar a mão da amiguinha, pode beijar na boca, de boa. Afinal é macho, e macho faz isso, afinal a mulherada está aí pra isso, dão mole mesmo e tem de passar o rodo.

Tem de beber, desde pequeno já pode tomar uns goles da minha cerveja que é pra ir sentindo o gosto, e se quiser fumar também pode.

E mais, tem que partir para briga, não pode dá mole pra vagabundo nenhum, pode até apanhar mas não pode fugir, e sem essa de dialogar, o negócio é decidir no braço, se não dá vai no ferro, vai na faca e se precisar detona.

E mais, sem essa de igualdade, macho é macho e viado é viado, então nada de ser mole, não vacila, passa o ferro na bichinha.

Macho que é macho não dá satisfação, não se apaixona, nunca faz amor, faz sexo, não é sensível, isso é coisa de mulher e de gay.

E desde sempre Léo viveu esta situação, aprendeu com o pai e a benção da mãe, cresceu do jeito que foi ensinado a ser, e se tornou o terror da vizinhança (faroeste caboclo).

E aos vinte e poucos anos de idade encontrou alguém, que desmontou tudo que sua família tinha ensinado, mesmo indo contra tudo que tinha “aprendido” sentiu que podia sentir e entendeu que as pessoas podem ser diferentes sim, e podem viver e conviver, não precisam serem superiores e mostrar que são o que não são, então hoje o nosso macho alfa não é assim mais tão macho e nem tão alfa, poderia até ser um macho mais ou menos, mas no fim acabou descobrindo que antes de ser macho o mais importante era ser homem.

Ops! Em tempo, esta é uma história de ficção, não existem pais assim.







Mark Ronson - Uptown Funk ft. Bruno Mars


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